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Com juros altos, empresas trocam financiamentos por consórcios para reduzir custos

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    WorkAll Business
  • 5 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura

São Paulo, 05 de agosto de 2025 – O consórcio, tradicionalmente associado à compra de veículos e imóveis, vem ganhando espaço entre empresas de diversos setores que estão utilizando essa modalidade como alternativa para quitar dívidas caras e reduzir parcelas mensais.


Com a taxa básica de juros estacionada em 15%, companhias de ramos como transporte, construção civil, agronegócio e serviços estão recalculando estratégias para manter a saúde financeira. A ideia é simples: substituir dívidas de financiamentos, que envolvem juros elevados, por cartas de crédito de consórcios, que possuem taxas administrativas menores.

Segundo Cléber Gomes, CEO e sócio-fundador da Maestria, empresa especializada em consórcios e produtos financeiros, essa tendência vem crescendo desde o início do ano. Somente em julho, a empresa movimentou R$ 150 milhões em crédito entre parceiros de negócios, sendo R$ 55 milhões – ou 36% do total – destinados especificamente para troca de dívidas.


De acordo com a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), cerca de 18% dos participantes do sistema são pessoas jurídicas, um número puxado por empresas que usam o crédito contemplado para substituir dívidas mais caras por parcelas sem juros.


Planejamento é essencial


O consórcio oferece custo menor que o financiamento, mas a principal diferença está no tempo de acesso ao dinheiro. No financiamento, o valor é liberado imediatamente após o contrato, enquanto no consórcio a liberação depende de contemplação por sorteio, lance ou ao fim do prazo.


Isso significa que, para empresas que precisam do recurso de forma urgente, o financiamento ainda pode ser mais indicado. Já aquelas que têm prazo para se planejar podem aderir ao consórcio e, uma vez contempladas, quitar dívidas caras.


Gomes exemplifica: uma empresa com dívida de R$ 1 milhão garantida por imóvel paga cerca de R$ 22 mil por mês em um financiamento. Ao trocar por um consórcio de mesmo valor e ser contemplada, a parcela cairia para R$ 6 mil. Porém, há um período de transição em que a empresa arcará simultaneamente com as duas prestações, exigindo bom fluxo de caixa.


Custo menor, mas riscos presentes


O planejador financeiro Jeff Patzlaff reforça que a atratividade do consórcio está no custo inicial mais baixo, mas alerta para os riscos: “Depende de a contemplação ocorrer no momento certo, do índice de correção não subir demais e da empresa estar preparada para suportar o período de sobreposição de parcelas”.

Ele destaca ainda que, embora não haja juros, o consórcio está sujeito a taxa de administração, fundo de reserva e correção monetária – fatores que podem pesar no custo final.


Prazo e estratégia de lance


O tempo até a contemplação pode variar de meses a anos, dependendo do grupo, da administradora e do valor dos lances. Uma estratégia de lance bem planejada pode antecipar o acesso à carta de crédito, mas exige recursos extras e análise cuidadosa do fluxo de caixa.


Patzlaff lembra que o consórcio não é uma substituição imediata ao financiamento e que empresas sem maturidade financeira ou sem assessoria especializada podem comprometer a saúde do negócio ao adotar essa estratégia sem um planejamento sólido.

Para vendedores de consórcio, essa tendência abre espaço para prospectar empresas que buscam alternativas de redução de custos, oferecendo o consórcio como ferramenta estratégica de reestruturação financeira.


📌 Fonte: InfoMoney – “Com juro alto, empresas trocam dívidas de financiamento por consórcios; vale a pena?” (05/08/2025), Élida Oliveira.

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